O pensamento
by admin on Sep.14, 2009, under Geral
A ferramenta mais poderosa que o ser humano tem é a sua capacidade de pensar, a sua mente.
De acordo com o que pensa, o ser humano pode direcionar suas energias para se tornar rico, famoso, poderoso. Pode, também, pensar de outras maneiras e viver de outros modos, em circunstâncias diversas.
O que um homem pensa ele se torna. Sua glória ou sua miséria, sua felicidade ou infelicidade, são resultado de seus pensamentos. O que difere um grande ser, um iluminado, de um ser humano medíocre, até mesmo brutal ou violento, é o que se passa na cabeça de cada um deles.
Entretanto, o ser humano sabe muito pouco sobre esta poderosa ferramenta, esta importante arma que tanto pode curar quanto matar.
Normalmente, a mente humana é ocupada por pensamentos descoordenados. Durante todo o tempo esta caixa de ressonância que está em nossas cabeças é preenchida por um pensamento atrás do outro, em velocidade muito rápida, pulando de um assunto para o outro. Desde a hora em que acordamos, até quando dormimos, e mesmo durante o sono, o pensamento está sempre em atividade, imaginando, lembrando, projetando, comparando, julgando, temendo, desejando.
Todo o processo que envolve o ato de pensar se dá semi-conscientemente. Uma parte da consciência vai conduzindo o pensamento. Outra parte está distraída, ocupada com outras coisas. Em algumas circunstâncias peculiares, em situações em que vislumbramos perigo, damos toda a nossa atenção a algo e agimos com intensidade. Mas, no dia-a-dia, os pensamentos são dispersos e aparentemente displicentes.
Nos momentos mais difíceis, aqueles que envolvem sofrimento, na maioria deles, a mente está nervosa, o pensamento agitado, temeroso ou inconformado. Outras vezes o espaço interno é preenchido por fortes pensamentos de desejo que, de alguma maneira, entram com muita força para preencher este vazio.
Esta poderosa ferramenta, causadora de nossa felicidade ou infelicidade, é muito pouco conhecida por nós. Ela está sempre presente, guiando as nossas vidas, mas de uma maneira meio caótica, meio inconsciente, e vamos, ao longo da vida, aos trancos e barrancos, vivendo de prazeres e tristezas.
A questão que se coloca é: seremos nós capazes de ver e compreender o processo do pensamento em ação e transformarmos um processo que semi-inconsciente e caótico em algo percebido e organizado ?
Aí surge a questão: quem irá organizar este espaço interno?
Quem irá colocar ordem no pensamento? Não será o próprio pensamento?
Colocar o pensamento para por ordem no pensamento significa criar mais confusão e gerar conflito interno. Isto porque, na sintonia ou dimensão que lhe é própria, o pensamento é sempre fragmentário, dividido e divisor. Então uma parte do pensamento se arvorará em autoridade, julgando e decidindo o que é certo e o que é errado - o que deve ser pensado ou não - e se proporá a reprimir as outras partes - ou outros pensamentos - que estiverem incorretos ou forem impróprios. Daí surge o conflito porque logo esta parte do pensamento autodenominada “o censor” ou “aquele que decide”, verá que não é capaz de reprimir os demais pensamentos, os tais que por ele forem considerados impróprios. Então, vendo-se incapaz de ter poder sobre o pensamento, aquela parte dele que se imaginava “a que decide” se cansa e desiste de “dominar” o pensamento.
Este processo não leva a lugar nenhum. É como o cachorro correndo atrás do próprio rabo. Só estará a gastar a sua energia.
Mas então como é que se pode conhecer o mecanismo do pensamento, de modo a se colocar ordem na casa interna, que é a nossa própria cabeça, se é que isto é possível?
Esta é uma questão profunda e difícil. Só a própria pessoa pode descobrir. Nenhuma fórmula fornecida por outrem poderá ser usada como poção mágica. A pessoa é que tem que descobrir.
Humm, e aí ?
Aí é que se trata de um grande desafio a possibilidade de descobrir, dentro das nossas cabeças, uma dimensão de paz e harmonia que não é produzida pelo pensamento, nem pela repressão dele, mas que vem quando se é capaz de observar isentamente o mecanismo do pensamento em operação.
Esta observação somente pode ser feita no instante presente. O pensamento está sempre atuando e, na maioria das vezes, de forma semi-inconsciente. Quando observamos, de uma forma neutra, todo o seu fluxo e refluxo - sem que seja uma observação forçada, produto do desejo de observar, mas uma observação natural de quem quer, tranqüila e espontaneamente, derrubar as paredes e desbravar os horizontes de sua própria cabeça - muita coisa muda dentro da gente.
Aí nós descobrimos que o desejo - criado e nutrido pelo pensamento - tem um poder muito forte nas nossas vidas. Estamos sempre às turras, numa luta permanente em favor do que gostamos, contra o que não gostamos. Buscamos o que nos agrada, a auto-satisfação, o reconhecimento. Procuramos atrair tudo o que o pensamento acha bom para nós e afastar tudo que se pensa ser “ruim”. Mas o que será o bom e o ruim, senão aquilo que o nosso próprio pensamento se acostumou a apreciar ou a desapreciar ?
Então, voltamos a perceber que o movimento do desejo, dentro de nós, é o próprio movimento do pensamento em busca de auto-satisfação para a entidade fictícia que pode ser denominada de “eu”.
O desejo passa a ser a fonte das nossas pequenas alegrias e dos muitos desagrados e tristezas. Pequenas alegrias porque dificilmente todas as coisas ocorrem como a gente quer. A vida e a natureza têm todo um movimento próprio, que não é para servir ao nosso ego. Então, muitas coisas acontecem de forma diferente do que a gente queria. Quando acontece, sentimos aquela satisfação, aquela pequena alegria que é passageira. Mas, poucos instantes depois, já não estaremos mais alegres, porque a alegria decorrente da satisfação do desejo é sempre efêmera. Muitas tristezas, porque a vida sempre cria situações que nos desagradam, como o carro que quebra, a empregada que agiu de forma imprópria, o patrão que foi rude, o filho ou a namorada que agiu assim ou assado, etc. etc. etc.
Quando se fala do desejo, não se entenda apenas o desejo de adquirir ou conquistar. Este tem muita presença em nossa vida. Mas os sucessivos aborrecimentos que tiram a nossa paz estão relacionados a coisas que acontecem e que nós não gostamos, porque preferíamos que não tivessem acontecido ou que acontecessem de outra forma. Portanto, o desejo também se manifesta, em grande parte das vezes, sob a forma de inconformismo.
Então, se o desejo é a fonte de nossos problemas, como ser sem desejo, como viver sem desejo ?
O desejo, em si, não é a fonte de todos os problemas, mas sim o nosso apego à sua satisfação. Quando aceitamos de bom grado que as coisas não aconteçam exatamente como gostaríamos que acontecessem, o desejo não é um problema, mas um fato psicológico simples.
Pretender ser sem desejos significa desejar não tê-los. Mais uma vez voltamos ao cachorro correndo atrás do rabo, isto é, uma parte da mente, aquela que se arroga na função do governante ou o agente, querendo alterar a outra parte, ao invés de compreendê-la, aprender sobre seus movimentos.
Para aprendermos sobre o modus operandi desta poderosa e maravilhosa máquina de pensar que cada um de nós tem dentro da cabeça, precisamos entender o que significa aprender.
Aprender não significa acumular informações na memória, seja sobre si mesmo, seja sobre o que for. Aprender significa o desenvolvimento de uma capacidade de lidar, algo que só pode ser feito no instante presente.
Aprender sobre o processo de funcionamento do pensamento é, pois, muito diferente de tirar conclusões, mas sim vê-lo operando, com toda a sua astúcia e os mecanismos automáticos e enraizados onde o eu busca “se dar bem”, ou o que é satisfatório para si.
É como aprender a andar de bicicleta. Muitas e muitas aulas e explicações não irão substituir o ato, praticado no instante presente, de sentar na bicicleta e por-se a pedalar, caindo e tentando novamente. O equilíbrio só pode ser encontrado no ato, no instante, e a capacidade desenvolvida também só pode ser manifestada quando se senta novamente na bicicleta.
Assim é o aprendizado sobre a máquina “mente” e o seu produto, o pensamento. Idéias ou conclusões preconcebidas de nada servirão. Só no momento, no instante presente, é que se pode vê-lo em operação e aprender sobre o processo.
Quando a mente é capaz de se esvaziar do pensamento, sem que o faça por decisão do próprio pensamento, mas pela habilidade desenvolvida de um inteligência que emerge do silêncio, o homem descobre que há profundezas insondáveis, há um espaço infinito na mente.
A mente é o espaço. O pensamento é como um corpo que ocupa um lugar no espaço. Quando descobrimos que o pensamento é sempre limitado, é sempre restrito, mas que há uma inteligência ilimitada que emerge do silêncio, dotada de uma paz profunda, inteligência que ao mesmo tempo é força e amor, e que ela é capaz de direcionar os nossos pensamentos para propósitos mais elevados e mais nobres, encontramos algo que é extremamente valioso e, ao mesmo tempo, espontâneo. Esta inteligência, que percebe que o pensamento é sempre limitado, organizará a casa interna, naturalmente, espontaneamente, deixando ir embora aquelas nuvens de auto-preocupação e de desejo que obscurecem o céu das nossas cabeças.
A descoberta deste espaço pode transformar as nossas vidas, fazendo-nos pessoas felizes, harmônicas, simples e alegres. Vê-se, pois, que o pensamento não iluminado por essa inteligência que emerge do silêncio é a fonte de todos os problemas e sofrimentos.
Marketing de Serviços - De onde virá a inovação?
by admin on Jun.15, 2009, under Geral
Quase tudo em apenas um clique, de norte a sul - leste a oeste - em poucos segundos. Conhecer um produto produzido do outro lado do mundo tornou-se, em parte, tão fácil quanto atravessar a rua e vê-lo na padaria do bairro.
Neste cenário, todos competem contra todos - o hipermercado contra a loja local - e ser o melhor já não é mais uma questão de tamanho. Graças à calda longa gostos excêntricos tornaram-se viáveis.
Tudo é global e é possível escolher muito mais opções do que se é possível julgar/testar. Por exemplo: Segundo o site WebMotors, são comercializados no Brasil cerca de 136 marcas de carros. Se imaginarmos que cada marca possui 20 modelos, multiplicando por 5 tipos de cores, só ai já temos 13.600 possibilidades de escolha. Opção de sobra para Henry Ford e seu modelo T nenhum botar defeito.
Mas também há o outro lado da moeda. Se de um lado temos a oferta de inúmeras opções de cores, motores e recursos, do outro é cada vez mais presente a sensação de que tudo está ficando igual. Lançam-se novos recursos em um dia, no outro tudo é copiado. Na onda 2.0, “tudo” é compartilhado, produzido em sentido bi-direcional, entre cliente e fornecedor (até mesmo bens) e ao pé da letra está muito mais difícil surpreender consumidores.
As empresas de tecnologia encontram dificuldade para gerar valor ao mercado. Simplesmente sobreviver, por si só, já tem sido difícil até mesmo para gigantes - com reconhecida excelência técnica - como Sun Microsystem.
Nas basta ter idéias geniais, o melhor produto e a melhor propaganda. O que vale é a somatória de esforços, visões e conhecimentos, o que se convencionou chamar de trabalho em equipe.
A inovação não é necessariamente a concepção de um produto novo, ela pode vir por meio do desenvolvimento de novos clientes, de novos mercados, de novos canais, de novos métodos de fazer negócio, da gestão de parcerias estratégicas, do desenvolvimento de novas competências, de novos modelos de negócios.
Uma empresa pode ser inovadora, sem que venda um produto tecnologicamente superior ao do seu concorrente. Por exemplo, a Dell, fabricante de computadores, inovou no método de vender seus computadores eliminando o intermediário e permitiu a customização de seus produtos de acordo com as necessidades de seus usuários.
A tecnologia reduz custos, corta empregos, elimina desperdícios, mas também muda radicalmente a forma como clientes interagem com os serviços. Como ser diferente se todos parecem seguir o mesmo caminho, se tudo parece igual?
Segundo a consultora Maria Inês Felippe é preciso apostar mais em pessoas, não em robôs.
Além disso, no atual mundo complexo, veloz e incerto, a própria razão de ser de grandes corporações precisam passar por revisões dentro de períodos cada vez menores. Inicialmente focada na construção de Main Frames, a IBM viu-se obrigada a re-pensar sua estratégia de atuação. Contrariando a análise da Gartner Group, insistiu na entrada fracassada no mercado de computadores pessoais. Hoje a IBM está voltada a prestação de serviços, especialmente em B2B.
A Novel, que era sinônimo de “REDE” poucos anos atrás, hoje fabrica soluções para integração de sistemas de segurança em Linux. E até mesmo a Microsoft está fabricando antivírus gratuito.
Sem a guinada constante no foco, baseada nas modificações de mercado, essas três empresas teriam ainda mais dificuldades de sobrevivência.
A modernização e propagação dos sistemas tecnológicos propiciaram significativa redução de custos para as empresas. Os bancos são grandes protagonistas nessa estória. Se antes era preciso ir fisicamente até o banco para fazer transações financeiras, hoje se faz tudo pela internet, ou por terminais de auto-atendimento.
Apesar de o senso comum tratar o assunto como um caminho sem volta, o fato é que a expectativa dos clientes nem sempre são atendidas pelas formas padronizadas dos terminais de atendimento.
A indústria tecnológica investe em modelos de inteligência artificial, mas se a evolução desses sistemas será suficientemente efetiva para satisfazer as expectativas dos clientes, ainda não se sabe.
O que temos como constatação até o momento é que os sistemas de inteligência artificial passam longe de atender plenamente as expectativas da maioria das pessoas. Um exemplo fácil está nos call centers com reconhecimento de voz.
Embora o software do call center seja de fato muito oportuno para os grupos de interesses dos acionistas, muitos clientes prefeririam serem tratados por seres humanos.
Os sistemas computacionais produzem desconforto nas pessoas, mas ao mesmo tempo, na média, reduzem custos e aumentam as receitas.
Por exemplo: Sistemas de call center mais sofisticados fazem milhares de ligações simultâneas e apenas repassam para os operadores as que obtiverem “alô” como resposta. Parece simples, mas antes as funcionárias do call Center gastavam uma parcela grande de suas horas produtivas, apenas discando números que não se completavam.
Os sistemas evoluíram a ponto de tentarem identificar a expectativa do cliente. Por exemplo, quando um cliente bate no telefone, grita, os sistemas computacionais identificam alteração de voz e acionam o supervisor.
Quando o cliente pede para falar com o supervisor, na verdade já está sendo ouvido por ele, em uma “segunda linha”.
Seriam os atuais clientes os ultrapassados? Será que a geração futura, que jamais conhecerá o atendimento humano, reclamará pelo fato de ser atendida por robôs?
A IBM em parceria com mais 15 empresas de TI criaram a SRI – Service Research and Innovation. Iniciativa de Pesquisa e Inovação em Serviços. A missão do SRI é aumentar a quantidade de recursos para financiamento de pesquisas, desenvolvimento e inovação na indústria de tecnologia. Boas respostas sobre o futuro do marketing de serviço certamente sairá desse centro de pesquisas.
Na busca pela inovação vale tudo. O discurso moderno propaga a idéia de que é preciso tornar as organizações mais livres. Os colaboradores devem ser mais livres para participar das inovações. Seria o Googuismo?
Contra fatos não há argumentos. Buscadores a parte, a GE e seu guru Jack Welch, acreditaram em um modelo de comunicação entre as mais diversas áreas da empresa. Trocas de informações, conhecimentos e experiências foram estimuladas por anos e o resultado se traduziu em centenas de milhares de dólares.
O X da questão talvez não esteja exatamente nos meios. Tecnologia e seres humanos podem conviver harmonicamente. O que vivemos de fato é o conflito entre a reprodutibilidade técnica e a personalização. Os sistemas computacionais estão sendo orientados para a reprodutibilidade técnica. Faz-se muito, da mesma coisa, da mesma forma.
Embora tenhamos avanços na área à inteligência artificial, nos CRMs, no conceito de personalização genuína é cedo para determinar qual modelo deve prevalecer.
Enquanto isso robôs erram cálculos em investimentos em Wall Street, causando sérios prejuízos, e a “coisa” do call Center, não consegue entender o nome que o cliente insatisfeito está repetindo pela 5.a vez.
Homem ou máquina, qual a sua opinião?
De boa intenção o inferno e a mídia estão cheios
by admin on Apr.27, 2009, under Geral
Eu falo vocês escutam e ponto final. Era basicamente dessa forma que agia o modelo conhecido com “Bala mágica”, durante a segunda guerra mundial. As pessoas, em tese, eram altamente influenciadas por mensagens transmitidas pela mídia, de forma igual e sem choro melas. Excessivamente simplista esse pensamento foi colocado em cheque tempos depois, pois não levava em consideração diferenças como classe social ou variáveis intervenientes da própria mídia, entre outros fatores.
Alguns anos mais tarde, já pela década de 90, a televisão era acusada de ser uma grande propagadora de lixo cultural. As opções dos brasileiros, por exemplo, se resumiam a 13 canais abertos, com suas programações em sentido único, da emissora até a poltrona. Caminho livre - sem juízo de valor - para o estrelato de ícones como Tiririca, Bozo, ET e Rodolfo, entre outros…
Hoje há quem diga que o melhor dos anos 90 era o que ele tinha de pior. Mas esse é um sentimento de saudade, acima de tudo, que só considera um lado da moeda. A fórmula do sucesso da TV até os dias de hoje é baseada em apelações que marcam. E ai se inclui gente muito feia ou muito bonita. Cantores horríveis ou talentosíssimos. Sensacionalismo. Enfim não tem meio termo, o que importa é chamar atenção a qualquer custo.
Veio da TV a mensagem quase catastrófica que o “Bug” do milênio nos traria. Comigo nada aconteceu. Olhei pela janela do apartamento e me parecia tudo normal também. Na época, perguntei-me, até quando seremos sumariamente enganados? A TV faz um terror em questões tão particulares.
Lembram do episódio da Febre Amarela? O pobre mosquito lá no Amapá e as pessoas aqui em São Paulo - que nem iriam viajar - fazendo filas para se vacinarem. E Não adiantou os especialistas, pacientemente, falarem que era desnecessário.
A mudança de século me trouxe novas esperanças quanto à mídia. Com a herança dos primeiros processadores Intel, criados nos anos 90, os homens agora poderiam imaginar portais como o Youtube, sites de conteúdo bi-direcional, participativos e com altíssima qualidade de conteúdo. Enfim o mundo estaria livre de conteúdo “trash” e as pessoas, a partir de então, poderiam decidir ao que assistir certo?
Errado! Hoje, já temos a nítida visão de que o problema de conteúdo de má qualidade não é obra exclusiva dos monopólios emissores, mas também dos receptores. Basta passear pelo site Youtube e constatar, por exemplo, que o “peido” da Hilari Clinton (link abaixo) tem 2.600.000 exibições, contra 27.000 do programa de comédia americana The Daily Show (link abaixo). O ser humano não perdeu sua fascinação por porcaria e a culpa não é só da televisão e nem da internet, mas da própria audiência.
Sem querer fazer juízo de valor, mas já fazendo, o BBB vem a demonstrar bem isso.
Um fenômeno comercial que faz vender mais TV a cabo, mais assinatura de provedor de internet, mais revista de fofoca, mais banda larga, mais carro, mais mercham…
Se do lado da TV temos o BBB, já na internet temos o Orkut. Tudo bem, o engenheiro Orkut Büyükkokten merece uma estátua por ter economizado milhões em treinamentos - graças à febre Orkut, milhares de jovens brasileiros entraram mais rapidamente na internet e ai se incluem pessoas de baixa renda, sem acesso doméstico a rede - mas fuçar a vida dos outros, ou ver futilidades no BBB não seria um sucesso não fosse à enorme participação e até contribuição ativa da audiência em ambas as mídias. O BBB por si só não é um espetáculo digno de Oscar, nem o Orkut de prêmio Nobel, os incontáveis casais que se separaram por causa dele que o digam.
Na faculdade eu e meu grupo estudamos e fizemos pesquisas para tentar entender porque essa fórmula permanece, apesar de agora “termos opção”. E a resposta é simples. Por que vende. Nada, além disso. Porcaria Vende. Criança que pede doce a mãe sabe. Portanto não se trata exatamente da direção de onde veio a porcaria, “ela sempre esteve para ficar”, assim como a Dança do Quadrado, e as futuras canções do triangulo, retângulo, Eguinha Pocotó remix e Titirica 2.0 – agora na versão Web.
Para concluir, Faço minhas as palavras de outro autor, o tema é complexo o suficiente para tornar quase toda conclusão questionável. E, se a hipocrisia é mesmo a reticência da vida, como escreveu José de Alencar, encarar o debate de frente é o primeiro passo para que essa discussão chegue a conclusões dignas de ponto final.
Links:
http://www.youtube.com/watch?v=0fnHcbQJiYM
99% é inspiração.
by admin on Apr.01, 2009, under Geral
Depois de ler em algum lugar, de credibilidade questionável (provavelmente algum blog igual ao meu), uma amiga comentou comigo que atender ao telefone com sorriso no rosto aumentava a qualidade do atendimento, fazendo com que a pessoa do outro lado se sentisse melhor. Fiquei pensando por alguns minutos na lógica do que ela tinha falado. Espere ai! Como é que o cliente, que nem está vendo o sorriso do outro lado da linha, pode se sentir melhor? Será que ela não está confundindo entonação de voz com o sorriso?
Não passou muito tempo até eu concluir, minha amiga tinha dito mais uma de suas abobrinhas. Talvez ela tivesse lido “atendente tem de ter sorriso na voz.” – o que é uma metáfora bonita, mas não necessariamente transportável ao sentido literal - e concluiu errado. Coisa de mulher loira, tudo bem.
Para minha surpresa, algum tempo depois, me peguei aplicando a tal teoria do sorriso. Era preciso sorrir, nem que fosse para falar sobre um velório. E não é que deu certo? As vendas aumentaram e os feedbacks positivos também. É claro que não se pode atribuir aumento das vendas a apenas ao sorriso. Fosse assim estaria todo mundo o tempo todo com sorriso no rosto. Os consultórios de cirurgia plástica já nem perguntariam o desejo dos pacientes. Todos estariam à procura da prótese do sorriso.
Asneiras a parte, faço uma analogia para esse suposto sucesso. É curioso pensar que tudo o que está a nossa volta, esteve um dia, apenas na mente do seu criador, do forno microondas a escova de dente. Por trás dos primeiros rabiscos do projeto que deu vida ao avião, havia a intenção de alguém em transformar um amontoado de peças em algo que pudesse voar.
Em uma das minhas empreitadas pelo site Youtube, assisti a um vídeo interessante. Falava sobre os experimentos de um físico japonês conhecido com Yamamoto. Em tese ele queria provar que partículas de água podiam ser influenciadas pelo pensamento. Para tal convidou monges budistas para abençoar fragmentos de água e as fotografou, o resultado foram fotos incríveis, em formatos que lembram flores e formas simétricas. De outro lado, colocou frases como “eu te odeio, vou te matar” próximo a outros fragmentos de água, e o resultado das fotos foi totalmente diferente. Formas assimétricas e desproporcionais.
Pode parecer chacota, mas a tecnologia está ai para mostrar que a interação pensamento VS matéria não é lá tão impossível. A empresa japonesa HONDA lançou recentemente uma versão do Robô ASIMO, que é capaz de interpretar os pensamentos humanos e acionar determinados comandos da máquina. O que chama mais atenção é o fato de não haver necessidade de introduzir nenhum eletrodo na cabeça do operador. (Revista Info Exame, 31 de março http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/robo-transforma-pensamentos-em-acoes-31032009-12.shl).
Estamos cada vez mais off-line, no sentido literal da palavra. Redes sem fio interligam todo o planeta. É previsível que o avanço dessa descoberta venha a fazer parte do cotidiano, como na invenção do novo celular movido pelo pensamento.
Você já ligou para algum ente querido sem saber que ele ia fazer a mesma coisa naquele exato momento? Pode até ser coincidência, mas alguma coisa nos diz que não é.
Quem inventou a frase 1% de inspiração e 99% de suor calculou errado. Seja na criação de um novo projeto, ou na intenção de transmitir afeto e carinho à outra pessoa, é o pensamento quem faz acontecer.
Aquela pessoa com a qual você não simpatiza muito, provavelmente também não simpatiza muito com você. O inverso também é verdadeiro, aquela pessoa de quem você gosta muito, com certeza gosta na mesma proporção de você. Não é preciso nem dizer nada e por mais que você seja um bom ator, adepto da boa hipocrisia moderna, essa parece ser a lógica que orienta a maior parte dos relacionamentos humanos. Não é preciso ser dito, a verdade está em sua mente.
Se máquinas são capazes de reconhecer nossos pensamentos, será que os humanos também não o são de certa forma? Bom, pelo menos em se tratando do meu telefone é assim que eu explico o como os meus clientes estão percebendo o sorriso que não pode ser visto.
É tão óbvio que ninguém enxerga!
by admin on Mar.18, 2009, under Geral
São duas as cenas que mais me alertaram sobre a cruel discrepância de recursos que existe em nosso mundo. Em uma reportagem exibida pela TV Cultura, uma criança descrevia como pretendia se curar de um câncer de boca, adquirido pelo excesso de sexo oral que ela fazia em alguns homens da região nordestina. O repórter perguntou: Mas o que você faz com o dinheiro que ganha dos seus clientes? A criança respondeu: Eu compro suco, quando dá bolachas. Em outro país, Isarel, mas com uma realidade não tão distante da garota, um pai de família, assombrada pela fome, tomou uma difícil decisão. Matar o cachorro de estimação para alimentar a família. A câmera da TV não poupa os detalhes sensacionalistas, o senhor dá uma punhalada fortíssima no bicho, fazendo-o voar alguns metros e quando chega perto do animal, ele ainda está mexendo o rabinho, como se estivesse esperando ajuda. A palavra crueldade está muito ligada a essas duas cenas para mim.
Enquanto alguns são culpados pela inocência, outros são recompensados pelo fracasso. Os executivos da AIG que o digam. É ajudando a afundar ainda mais o mundo que se conquista bônus?
Tenho lido bastante a respeito da Crise Mundial. E ao que tudo indica, ela nem se quer começou pra valer. Nossa economia foi anabolizada e é factível que não consigamos retornar aos mesmos montantes de antigamente, porque os resultados de até então foram conseguidos de forma artificial.
Existe uma relação entre tudo o que eu escrevi até agora, ninguém confia em ninguém. A verdadeira crise que estamos vivendo é a crise da confiança. Ficaremos encolhidos até o momento em que nos dermos conta disso.
Um fato curioso que vi na TV esses dias foi uma matéria falando sobre uma cidade nordestina que possui moeda própria. Todo mundo faz a vida acontecer por lá dessa forma. É muito engraçado porque no fundo o que aquela cidade fez não foi nada revolucionário, simplesmente aqueles moradores aprenderam a se confiarem mutuamente. Até empréstimo a juros baixíssimos tem e com inadimplência quase zero.
Talvez não seja dessa vez, mas acredito que o mundo ainda vai caminhar para a construção de um banco 2.0, colaborativo. Imagine se todos pudessem emprestar dinheiro a todos sem que fosse necessário aplicar os juros altíssimos que apenas acentuam as desigualdades sociais? Não é filantropia nem muito menos utopia. Se um dia redescobríssemos o significado da palavra confiança, o banco 1.0 e parte do capitalismo perderiam a sua própria razão de ser. Quem trabalha mais deve ter seus méritos. Mas o mundo poderia ser muito menos desigual. Já está mais do que na hora de revermos nossos modelos.
